Desde 1996, Manoel Ribeiro Francisco dedica-se à arte de transformar madeira em música.
Com produção própria em seu ateliê, conta hoje com uma equipe de mais de 11 artesãos que trabalham diretamente na confecção de arcos musicais para violino, viola, violoncelo e contrabaixo.
Seu processo de aprendizagem se deu com professores brasileiros e estrangeiros e, ao longo de quase três décadas de prática em ateliês do Espírito Santo, Manoel desenvolveu um estilo próprio de arqueteria — unindo precisão técnica, sensibilidade artesanal e profundo respeito pela natureza.
Cada arco nasce sob seu olhar atento — desde a escolha do Ipê (Handroanthus spp.), espécie nativa e certificada do território brasileiro, até o último toque de verniz.
O resultado é um instrumento reconhecido por músicos no Brasil e no exterior pela resposta sonora, autenticidade e qualidade do seu acabamento.
Atualmente, a maior parte da produção é destinada ao mercado exterior, que exige padrões técnicos e documentais rigorosos. Por lidar diretamente com exportações, a empresa mantém controle total sobre todo o processo produtivo e de compliance ambiental, reunindo a documentação de toda a cadeia de custódia da madeira — requisito indispensável para a comercialização internacional de seus produtos.
Mais do que fabricar instrumentos, Manoel traduz, em cada arco, o diálogo entre tradição, ciência e arte — uma jornada em que cada detalhe importa.
Manoel iniciou sua jornada em um ateliê da região onde o cunhado trabalhava. A curiosidade o levou a aprender com archetiers locais e, mais tarde, com mestres europeus que ajudaram a refinar sua técnica. Dessa combinação nasceu o estilo que une tradição brasileira, precisão artesanal e sensibilidade artística.
A produção começa pela escolha minuciosa da madeira, em que apenas as melhores partes de cada lote são aproveitadas.
Em todas as etapas — do desdobro ao acabamento —, as peças que não atingem o padrão de qualidade são descartadas, garantindo que apenas o Ipê mais estável, denso e sonoro se transforme em arco
Ajustados um a um, os arcos refletem a busca pelo equilíbrio perfeito entre forma e som.
Mais do que instrumentos, são extensões da expressão do músico — resultado do olhar atento e da sensibilidade que transformam o Ipê em música.
A legalidade e a rastreabilidade da madeira são garantidas por meio do Sistema DOF (Documento de Origem Florestal), plataforma oficial do Ministério do Meio Ambiente que acompanha a madeira desde a extração até o produto final. Esse sistema consolida a chamada cadeia de custódia, composta por documentos que comprovam cada etapa do processo — da AUTEX/AUTEF (autorização de exploração) ao DOF de destinação final. Graças a esse controle, todos os arcos produzidos possuem comprovação documental completa de origem legal, requisito indispensável para a exportação e para o compromisso permanente da oficina com o meio ambiente.